PASSOS – A Câmara Municipal de Passos realizou, no final da tarde desta terça-feira, 14 de julho, uma reunião de trabalho no Plenarinho para discutir os problemas enfrentados por profissionais de saúde, pacientes e familiares desde a implantação da Central de Operações para Regulação Estadual (CORE/MG).
O encontro foi convocado pelo presidente da Comissão de Saúde e Ação Social da Câmara, vereador Milton Silva. Além dos vereadores, foram convidados o prefeito Maurício Antonio da Silva, o secretário municipal de Saúde, Randal Vargas, e a responsável técnica da Enfermagem da UPA, Gelza Macedo.
Participaram da reunião os vereadores Plínio Andrade, Michael Silveira Reis, Alex Bueno, Gilmara Oliveira, Aline Macêdo, Isabel Ribeiro, Belinha, João Serapião, André Albino e Wender Garcia.
A CORE/MG é o sistema estadual utilizado para regular pedidos de internação, transferência hospitalar e encaminhamento de pacientes pelo Sistema Único de Saúde. A ferramenta substituiu o antigo SUS Fácil e passou a ser alvo de questionamentos em Passos por causa da demora em liberações de vagas, dificuldades de transferência e encaminhamentos de pacientes para outros municípios.
Durante a reunião, os vereadores apresentaram questionamentos à equipe técnica da UPA, ao secretário de Saúde e ao prefeito sobre a efetividade do sistema no município. Entre os pontos discutidos estiveram o tempo de espera de pacientes por leitos, os critérios usados pela regulação estadual, a necessidade de melhoria no preenchimento dos laudos médicos e o treinamento das equipes que operam o sistema.
Segundo os relatos apresentados, um dos gargalos está no detalhamento das informações clínicas encaminhadas à regulação. Quando o laudo médico não descreve com clareza a gravidade do quadro do paciente, o sistema pode não identificar a real prioridade do caso, o que dificulta a liberação de vaga.
O vereador Milton Silva afirmou que tem acompanhado de perto a situação na UPA e demonstrou preocupação com pacientes que aguardam vários dias por internação.
“Cada dia que a gente acha que vai melhorar, a coisa vai piorando. Hoje tem paciente com oito dias esperando vaga. É uma preocupação muito grande”, afirmou.
Milton destacou que, embora o Legislativo e o Executivo não tenham controle direto sobre o sistema estadual, a Câmara tem atuado para cobrar respostas e levar as demandas da população ao Governo de Minas.
“O CORE, no papel, é um programa muito bonito. A eficácia dele, na prática, tem deixado a desejar, e quem sofre com isso é a nossa população”, disse.
O vereador também ressaltou que a melhoria dos relatórios médicos enviados pela UPA pode contribuir para que os casos sejam avaliados com mais precisão pela regulação. Segundo ele, o secretário Randal Vargas assumiu o compromisso de dialogar com a equipe médica da unidade para aprimorar o preenchimento das informações no sistema.
“Tudo depende do que é relatado pelo médico da UPA. Se o quadro clínico não é colocado com muita clareza, o CORE pode entender que aquele paciente ainda pode esperar”, explicou Milton.
Durante a reunião, Gelza Macedo apresentou dados referentes aos pacientes regulados pela UPA nos últimos 60 dias após a implantação do CORE/MG. Segundo os números informados, foram 830 registros analisados, sendo 623 casos finalizados, 202 cancelados e cinco internados.
Nos dados sobre internações em leitos de UTI para adultos, foram registrados 47 encaminhamentos. Desse total, 40 pacientes foram destinados a Passos, cinco para São Sebastião do Paraíso, um para Guaxupé e um para Alfenas. Em relação às crianças, foram contabilizados cinco leitos de UTI, todos destinados à Santa Casa de Passos.
Já nas internações em enfermaria, foram registrados 503 encaminhamentos de adultos. Desse total, 493 pacientes permaneceram em Passos, sete foram encaminhados para São Sebastião do Paraíso, dois para Cássia e um para Nova Resende. No caso das crianças, foram contabilizadas 79 internações em enfermaria, todas também destinadas à Santa Casa de Passos.
Os dados apresentados reforçaram a avaliação de que houve redução significativa no número de transferências de pacientes de Passos para hospitais de outras cidades após a mobilização dos vereadores, prefeitos e gestores de saúde da região. A Câmara já havia aprovado e encaminhado uma moção de repúdio à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais em razão das dificuldades causadas pela implantação do novo sistema.
Mesmo com a melhora nos encaminhamentos para a rede local, vereadores e prefeito reforçaram que os problemas permanecem, principalmente no tempo de espera por leitos hospitalares e nas dificuldades enfrentadas por pacientes e familiares enquanto a vaga não é liberada.
O prefeito Maurício Silva afirmou que a pressão feita pelos vereadores e gestores da região ajudou a reduzir as transferências para fora, mas disse que a situação ainda exige acompanhamento permanente.
“Os números melhoraram bastante, mas os problemas continuam acontecendo. Um pronto atendimento não pode ter paciente aguardando oito dias para ser transferido para uma unidade hospitalar. Isso continua inconcebível”, afirmou o prefeito.
Maurício também criticou a implantação do sistema sem treinamento adequado de todos os profissionais que atuam na urgência e emergência em Minas Gerais. Segundo ele, em municípios menores, a falta de domínio sobre a ferramenta pode comprometer a evolução correta dos casos e prejudicar pacientes que precisam de atendimento rápido.
“É um absurdo ter implantado o CORE sem treinar os profissionais que atendem urgência e emergência. Se o sistema não for alimentado corretamente, ele pode não identificar a gravidade do paciente”, disse.
O prefeito relatou situações recentes de dificuldade na transferência de pacientes da região para Passos e também casos de moradores do município encaminhados para outras cidades, o que tem provocado transtornos às famílias. Ele citou o caso de familiares de um paciente transferido para Piumhi que enfrentaram dificuldades até mesmo para visitar o parente internado.
“Por isso a gente tem que continuar trabalhando para que os pacientes de Passos fiquem em Passos e sejam atendidos pela Santa Casa. Aqui tudo é mais fácil para as famílias”, afirmou.
Durante a reunião, Gelza Macedo explicou que, no modelo anterior, o SUS Fácil, também existiam transferências para hospitais de outros municípios, mas que elas ocorriam, principalmente, quando a especialidade necessária ao paciente não era oferecida pela Santa Casa de Passos.
Os vereadores solicitaram ao prefeito e ao secretário municipal de Saúde um levantamento completo dos pedidos de internação desde a implantação da CORE/MG. O relatório deverá conter informações detalhadas sobre o quadro clínico dos pacientes, o tempo de espera na UPA e os encaminhamentos realizados.
Maurício Silva informou que tem agenda prevista na próxima semana na Secretaria de Estado de Saúde, em Belo Horizonte, para tratar do tema. O prefeito convidou os vereadores a acompanharem a reunião e reforçou a importância da união entre Executivo e Legislativo para cobrar ajustes no funcionamento do sistema.
Para Milton Silva, a principal reivindicação é que a regulação reconheça a realidade da macrorregião de Passos e garanta que os pacientes sejam atendidos, sempre que possível, pela Santa Casa e pelos hospitais de referência da própria região.
“A nossa luta é para que a regulação reconheça a macrorregião, para que os pacientes sejam destinados aos hospitais daqui e a população seja atendida com mais rapidez”, afirmou.
Ao final da reunião, os vereadores reforçaram que a Câmara continuará acompanhando o funcionamento da CORE/MG, cobrando respostas do Estado e dialogando com o Executivo, a Secretaria Municipal de Saúde e a equipe da UPA para buscar melhorias no atendimento aos pacientes.
Fonte: Câmara Municipal de Passos
Local: Câmara Municipal de Passos