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02 JUL 2026
SAÚDE
Vereadores de Passos reforçam cobrança contra o CORE-MG em reunião regional na AMEG
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Moção de repúdio assinada por todos os vereadores foi encaminhada ao secretário de Estado de Saúde; Câmara defende regulação regional e atendimento dos pacientes de Passos na Santa Casa
          PASSOS – Os vereadores da Câmara Municipal de Passos participaram, nesta quarta-feira, 1º de julho, de uma reunião regional na sede da AMEG, Associação Pública dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande, para cobrar providências em relação aos problemas enfrentados após a implantação do CORE Saúde MG, novo sistema estadual de regulação assistencial.

          A reunião contou com a presença do subsecretário de Acesso a Serviços de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, Renan Guimarães de Oliveira, que compareceu ao encontro para ouvir prefeitos, vereadores, secretários municipais de saúde, gestores hospitalares e representantes da região.

          O CORE-MG foi apresentado pelo Governo do Estado como uma ferramenta de modernização da regulação do SUS em Minas Gerais, substituindo o antigo SUS Fácil. No entanto, desde sua implantação, municípios e usuários têm relatado dificuldades, demora na liberação de vagas, insegurança nos fluxos, problemas de comunicação e encaminhamentos de pacientes para unidades distantes de suas referências regionais.

           Todos os vereadores de Passos estiveram presentes à reunião, que durou cerca de três horas. A participação reforça a posição firme da Câmara Municipal, que já havia aprovado e encaminhado uma moção de repúdio ao secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti Vitor, manifestando a indignação do Legislativo com os transtornos provocados pelo novo sistema.

          A moção foi assinada por todos os vereadores da Câmara de Passos e cobra providências urgentes do Estado para corrigir falhas, preservar a referência regional da Santa Casa de Misericórdia de Passos e garantir que os pacientes do município tenham atendimento digno, seguro e próximo de seus familiares.

Reunião regional

          O encontro foi presidido pelo presidente da AMEG e prefeito de São Tomás de Aquino, Daniel Ferreira da Silva. Participaram prefeitos dos municípios de São Sebastião do Paraíso, Itaú de Minas, São João Batista do Glória, Pratápolis, Claraval, Passos, São José da Barra, Carmo do Rio Claro e Fortaleza de Minas.

          Representando a AMOG, também estiveram presentes prefeitos de Jacuí, São Pedro da União e Itamogi. A reunião contou ainda com secretários municipais de saúde, vereadores de Passos, São Sebastião do Paraíso e São João Batista do Glória, além de diretores das Santas Casas da região.

          O encontro foi convocado em razão das inúmeras manifestações apresentadas pelos municípios consorciados sobre as dificuldades verificadas após a implantação do novo sistema estadual de regulação. A proposta foi consolidar as demandas regionais para encaminhamento conjunto ao Governo do Estado de Minas Gerais.

          Durante a reunião, o prefeito de São Sebastião do Paraíso, Marcelo Morais, relatou as principais dificuldades enfrentadas na operacionalização do CORE Saúde MG. Ele destacou que o descontentamento dos prefeitos e gestores municipais é grande, especialmente diante da demora no atendimento dos pacientes, mesmo quando existem leitos disponíveis para recebê-los.

          Também foi apresentado um ofício conjunto a ser encaminhado ao Governo do Estado, reunindo as preocupações dos municípios da região.

          Representantes das instituições hospitalares e dos municípios presentes relataram dificuldades na comunicação com a Central Estadual de Regulação, na definição dos fluxos assistenciais e na ocupação dos leitos. Segundo os participantes, esses problemas têm causado insegurança operacional, sobrecarga das equipes e aumento da demanda administrativa nas unidades de saúde.

Cobrança dos vereadores

          Durante o encontro, vereadoras e vereadores de Passos reforçaram que a Câmara não está omissa diante da situação. A posição do Legislativo é de cobrança firme por uma regulação regional, humanizada e compatível com a realidade dos municípios.

          A vereadora Aline Macêdo criticou o modelo estadualizado e defendeu que a regulação respeite a organização microrregional da saúde.

          Segundo ela, o sistema precisa considerar a realidade social das famílias que acompanham pacientes internados ou aguardando transferência.

“Sem ser regional, não vai dar certo. É preciso pensar na dignidade das famílias. Muitas vezes o familiar precisa acompanhar o pai, a mãe, o filho ou outro parente em uma cidade distante, sem dinheiro para comer, sem lugar para dormir e sem condições de permanecer fora. O Estado precisa olhar para essa realidade”, afirmou.

          No mesmo sentido, a vereadora Isabel Ribeiro, a Belinha, cobrou uma revisão urgente do sistema e criticou a falta de sensibilidade diante da situação dos pacientes.

“Nós, vereadores, somos os primeiros a quem a população recorre. O cidadão liga para o vereador, procura ajuda e cobra uma resposta. O sistema precisa funcionar, mas precisa ser humano. Não dá para implantar uma ferramenta que as pessoas não conseguem entender e que não considera a dor de quem está esperando atendimento”, destacou.

          Belinha também defendeu que a regulação seja regionalizada, para evitar deslocamentos desnecessários e garantir mais segurança aos pacientes e seus familiares.

Plínio Andrade: Câmara não aceitará pacientes enviados para longe

          Ao final da reunião, o presidente da Câmara Municipal de Passos, vereador Plínio Andrade, afirmou que os vereadores levaram ao encontro a indignação da população passense.

          Segundo ele, a maior preocupação é com os pacientes que permanecem por vários dias na UPA aguardando vaga e com os casos de transferências para cidades distantes, mesmo diante da existência da Santa Casa de Misericórdia de Passos como referência regional.

“Nós trouxemos aqui todas as questões da regulação do CORE, que está trazendo vários transtornos para a nossa população. Temos pacientes internados na UPA de Passos há vários dias esperando vaga e, em alguns casos, sendo deslocados para cidades muito distantes, o que causa sofrimento ao paciente e aos familiares”, afirmou.

Plínio destacou que a Câmara continuará cobrando soluções.

“Nós temos a Santa Casa de Misericórdia de Passos, que atende com excelência a nossa população. Não vamos aceitar que os nossos munícipes sejam tratados em cidades distantes quando podem ser atendidos aqui ou o mais próximo possível da nossa cidade”, reforçou.

          O presidente informou ainda que, conforme encaminhamento da reunião, as demandas apresentadas deverão receber respostas a partir da próxima semana. Também deverá ser criado um grupo de trabalho para reunir apontamentos, deficiências e sugestões de melhorias ao sistema.

Milton Silva defende força-tarefa regional

          O vereador Milton Silva, presidente da Comissão de Saúde e Ação Social da Câmara, também destacou a importância da união entre vereadores, prefeitos, secretários e gestores hospitalares para buscar soluções.

“A gente sabe a dificuldade que a população está passando. Cada vereador representa o seu eleitor e a nossa população. É muito importante todos participarem deste momento e fazerem essa força-tarefa para trazer respostas diante das dificuldades que temos visto no CORE-MG”, afirmou.

          Milton ressaltou que o principal objetivo é fazer com que o sistema funcione de forma efetiva para atender quem mais precisa.

“O importante é que o sistema funcione e que a população tenha resposta. O intuito dos vereadores é justamente cobrar melhorias e garantir atendimento adequado para os pacientes”, destacou.

Resposta do Estado

          Durante a reunião, o subsecretário Renan Guimarães de Oliveira apresentou o funcionamento do CORE Saúde MG, seus objetivos, fluxos operacionais e a sistemática adotada pela Secretaria de Estado de Saúde na regulação assistencial.

          Após ouvir as manifestações, questionamentos e críticas dos representantes regionais, o subsecretário sugeriu que as demandas, sugestões e apontamentos sejam consolidados por meio da AMEG. O material deverá subsidiar a elaboração de um plano de ação conjunto, que será analisado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais.

          Em entrevista ao final do encontro, Renan afirmou que o sistema busca organizar os encaminhamentos dentro de uma grade de referência, mas reconheceu que foram apresentadas provocações e questionamentos sobre a necessidade de aperfeiçoamento do processo regulatório, especialmente para garantir melhor funcionamento dentro da micro e da macrorregião.

          Ele também explicou que a atualização da evolução clínica do paciente no sistema é fundamental para a tomada de decisão médica, pois influencia a avaliação da gravidade do caso e o encaminhamento para a unidade de referência mais adequada.

Câmara seguirá cobrando

          Para a Câmara Municipal de Passos, a saúde pública exige responsabilidade, planejamento, diálogo com os municípios e respeito à realidade regional.

          A atuação dos vereadores, com a aprovação da moção de repúdio, a presença na reunião da AMEG e as cobranças feitas diretamente ao representante da Secretaria de Estado de Saúde, demonstra que o Legislativo passense está acompanhando o problema e exigindo respostas concretas.

          A Câmara continuará defendendo que os pacientes de Passos sejam atendidos preferencialmente na Santa Casa de Misericórdia de Passos ou em unidades próximas, evitando deslocamentos desnecessários, sofrimento às famílias e prejuízos à assistência.

          A prioridade dos vereadores é garantir que a população tenha acesso a um atendimento digno, ágil, humano e seguro dentro da rede pública de saúde.
Fonte: Câmara Municipal de Passos
Autor: Ascom Câmara Municipal de Passos
Local: Câmara Municipal de Passos
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