Durante a 39ª reunião ordinária, parlamentar destacou riscos ao ecossistema, à pesca e às atividades de lazer e defendeu o monitoramento das ocorrências na região
A presença de piranhas em trechos do Rio Grande, na região de Passos, foi tema de um alerta feito pelo vice-presidente da Câmara Municipal, vereador Michael Silveira Reis, durante o Grande Expediente da 39ª reunião ordinária, realizada nesta segunda-feira, 26 de outubro. O parlamentar manifestou preocupação com os possíveis impactos ambientais provocados pela presença desses peixes, além dos riscos para pescadores, banhistas e moradores das comunidades ribeirinhas.
Biólogo, professor universitário e mestre em Ciência Animal, Michael explicou, em entrevista concedida à Assessoria de Comunicação da Câmara após a sessão, que a preocupação surgiu a partir de relatos de pescadores sobre a captura de piranhas no Rio Grande. Entre os episódios mencionados está o de um pescador que teria sofrido uma mordida na mão ao retirar o peixe de uma rede. Segundo o vereador, também foram relatados ataques a outros animais durante atividades de pesca, situação que motivou o alerta apresentado na tribuna.
De acordo com Michael, os primeiros relatos chegaram há aproximadamente quatro meses, na região conhecida como Praia Bela, nas proximidades de Cássia. Posteriormente, surgiram informações sobre a presença desses peixes em outros pontos do médio Rio Grande, incluindo a região do Porto de Passos. O parlamentar destacou que, diante dessas ocorrências, é necessário identificar os locais onde os animais estão sendo encontrados e acompanhar a frequência das capturas para compreender melhor a extensão do problema.
Impactos ambientais
O vereador explicou que a introdução de espécies em ambientes onde elas não ocorrem naturalmente pode provocar alterações na cadeia alimentar, principalmente em razão da competição por alimento e da predação de outros peixes. Segundo sua avaliação, a presença das piranhas representa uma ameaça potencial para espécies características da região, como lambaris e mandis, além de outros organismos que integram o ecossistema aquático do Rio Grande. Michael também manifestou preocupação com a possibilidade de proliferação desses animais e com a ausência, conforme sua avaliação, de predadores naturais capazes de controlar sua população naquele trecho do rio.
O parlamentar ressaltou que a introdução irregular de espécies em ambientes aquáticos pode configurar crime ambiental e defendeu a adoção de medidas para reduzir possíveis danos à biodiversidade. Entretanto, a origem dos exemplares encontrados na região e as circunstâncias de sua chegada ao Rio Grande ainda precisam ser esclarecidas por meio de investigação e acompanhamento técnico.
Atenção à população ribeirinha
Além das consequências ambientais, Michael chamou a atenção para os possíveis reflexos sobre a economia regional. O Rio Grande é utilizado para atividades de pesca, turismo náutico e lazer, com ranchos e áreas frequentadas por moradores e visitantes. Segundo o vereador, a presença das piranhas exige cuidados adicionais, especialmente nos locais onde já foram relatadas ocorrências. Ele também destacou a preocupação com os pescadores que dependem da atividade para sua subsistência, uma vez que eventuais alterações nas populações de peixes podem afetar a disponibilidade das espécies de interesse comercial.
Em relação à segurança, o parlamentar orientou a população ribeirinha e os frequentadores do rio a redobrarem a atenção durante o banho e outras atividades recreativas, principalmente nas áreas com registros de capturas. Também alertou para os riscos durante o manuseio de peixes presos às redes de pesca, considerando os relatos de mordidas apresentados por pescadores.
Michael defendeu a participação do poder público, dos órgãos ambientais e das comunidades ribeirinhas no mapeamento das ocorrências e no desenvolvimento de ações educativas. Entre as alternativas sugeridas estão iniciativas de captura controlada dos animais, incluindo atividades de pesca organizadas, que dependeriam de avaliação técnica e do cumprimento das normas ambientais. Para o vereador, o levantamento dos locais de maior incidência deve ser o primeiro passo para orientar possíveis medidas de manejo e reduzir os riscos para a fauna aquática e para a população que utiliza o Rio Grande.
Fonte: ASCOM/Câmara Municipal de Passos
Autor: ASCOM/Câmara Municipal de Passos
Local: Câmara Municipal de Passos